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Avós, pais, filhos e netos

 

A vida é uma longa corda, que fica sempre mais comprida, adicionando novos pedaços aos pedaços anteriores.

Grande parte de nós conheceu pelo menos um avô ou uma avó. Também conhecemos pai e mãe. Depois vieram os filhos, que também têm filhos e, de repente, olhando em volta, descobrimos que somos os avós do começo da história.

Invariavelmente, a lembrança dos avós tem muito de uma pessoa idosa, com jeito de idosa, com as dificuldades dos idosos, vestida e vivendo como uma pessoa idosa.

A última lembrança dos pais também costuma ser a imagem de pessoas idosas, que tomaram o lugar dos avós.

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Aí vêm os filhos, e estes serão sempre crianças, até cinquenta anos depois.

Onde a coisa pega é que, com a passagem dos anos, nós ficamos velhos, nos tornamos os idosos, os pais e avós, só que, ao contrário da lembrança que temos dos nossos avós e dos nossos país, não nos consideramos velhos, estamos prontos para o que der e vier.

Hoje, olhando para trás e lembrando do meu pai, os últimos anos foram muito difíceis, mas até oitenta ele saía para pescar ou viajava para a fazenda de um tio para andar pela Mata Atlântica, na Serra do Mar.

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Aos oitenta anos ele estava inteiro, tinha seus amigos, sua turma, bebia seu uísque nos finais de tarde, jantava fora, lia, conversava e ficava bravo porque, como ele dizia: “as pessoas não percebem que eu fiquei velho, não fiquei idiota.” Ele não se conformava com a maneira como era tratado porque estava com oitenta anos de idade.

Agora, somos nós que estamos na linha de frente. A geração de meus pais já partiu. Como será que os filhos e os netos nos veem? Será que para eles já somos velhos ou será que ainda falta um tempo para isso acontecer?

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

 

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.