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Não é abelha não é pernilongo…

Não é abelha, não é pernilongo, não é o super-homem, é um helicóptero. Como eu sei? pelo barulho, ou melhor, pela algazarra que essas máquinas conseguem fazer ao cruzar o céu sobre nossas cabeças.

Aviões são infernais, podem levar gente de bem a cometer desatinos e até ir a uma delegacia, mas perto dos helicópteros, os aviões são conversa de criança. Não fazem cócegas, não irritam, não tiram você do sério, dois ou três palavrões a cada cinco aviões e os preços estão certos, não tem mal-entendido, nem por que levar a ferro e fogo.

Já com os helicópteros a coisa toda muda. Não tem corner neutro, a guerra é constante a as batalhas se repetem incessantemente, com nítida vitória para as máquinas voadoras, em detrimento da qualidade mínima de vida que justifica você morar numa fábrica de loucos como São Paulo.

Não tem dúvida, um helicóptero é uma mão na roda – para o dono do helicóptero. Para quem está embaixo lembram as trombetas que derrubaram as muralhas de Jericó. Trombetas mágicas, sopradas pelo sopro divino de um Deus querendo entregar as terras do outro lado do deserto aos seus protegidos.

Aí mora um dos problemas, não há como brigar contra divindades. Elas são mais poderosas, sempre. Perto delas o ser humano é um mísero monte de barro que ganhou vida pelo sopro de eternidade e na sequência imaginou que era feito a imagem e semelhança de Deus.

Não, a imagem e semelhança de Deus é mais complexa e passa pelo voo dos helicópteros em cima da sua cabeça, o dia inteiro, completando o serviço diabólico das aeronaves que tentam te enlouquecer com o mínimo de esforço e o máximo de sucesso.

A parte que cabe aos helicópteros é a sintonia fina, o ajuste do diapasão que garante a loucura com pouco esforço e muito resultado.

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Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.