Vida nova para as praças sem nome
[Crônica de 17 de junho de 2003]
São Paulo é uma cidade curiosa, uma cidade que tem baldas que a fazem única e diferente de qualquer outra, porque é o resultado de mais de 4 séculos com o planejamento correndo atrás da cidade.
Entre as tipicidades, se destacam as praças. Algumas promovidas a parque, mesmo sendo do tamanho de um quarteirão. São Paulo tem praças de todos os tipos, criadas ou nascidas pelas mais diferentes razões. Algumas são deliberadamente desenhadas em projetos de urbanização, outras são áreas da prefeitura ou do governo do estado, outras são doações de grandes áreas privadas e outras são simples terrenos abandonados que acabam sendo adotados por alguém que os transforma numa praça, sem autorização e sem ajuda oficial de qualquer espécie.
Da praça da Sé, imensa e desumana em seu concreto tapando o verde, passando pelo Ibirapuera, para acabar na pequena praça Vilaboim, ou noutras menores ainda, a cidade, nelas, se espalha, como que se vingando dos espaços apertados onde são erguidos seus prédios.
Agora a prefeitura dá uma boa notícia para quem mais precisa de praças: a zona leste. Lá existem praças que não têm nome, e, portanto, não existem, e por isso não podem ser mantidas pela prefeitura, razão pela qual estão completamente abandonadas.
Pois elas serão recuperadas, tratadas e, por isso, em pouco tempo, provavelmente, terão até nome, já que a Câmara Municipal não perde ocasião de homenagear os amigos nos nomes de ruas e praças. Mas o importante é que em breve estarão limpas e com brinquedos novos.