As tipuanas também florescem
[Crônica de 29 de outubro de 2009]
Tem gente que nunca reparou, mas as tipuanas também florescem. São floradas relativamente pequenas, se comparadas com as azaleias e as quaresmeiras. Também não têm a força dos ipês, nem o roxo forte dos jacarandás mimosos. Mas mesmo assim, elas merecem respeito. As tipuanas ocupam espaço importante na cidade.
São Paulo deve muito do seu verde às tipuanas. Elas se espalham pelas mais variadas regiões, hoje, na maioria, crescidas, com troncos grossos e galhos desesperados, criando um cenário de sonho nos locais onde estão plantadas.
Os galhos das tipuanas no inverno são poesia pura. Nus, erguidos em direção ao céu, parecem santos pedindo a intervenção divina para a consecução de um novo milagre. E na primavera, seu verde fresco, composto por milhares de pequenas folhas recém-nascidas, empresta um tom especial para o horizonte urbano.
Horizonte que fica ainda mais belo quando suas flores amarelas enfeitam as copas, trazendo as cores da bandeira brasileira para o cotidiano das pessoas. São flores delicadas, pequenas e finas, que contrastam com os troncos grossos e os galhos longos.
Quase que a contradição da própria árvore, as flores das tipuanas fazem o contraponto entre tamanho e delicadeza, essencial para o entendimento do mundo. Com sua florada pouco chamativa, elas reforçam as ideias de humildade e presença de todos na construção de um mundo melhor.
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