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Mais de 2500 salvamentos

Nessa altura do jogo, a conta deve estar perto de 2500 salvamentos de banhistas em dificuldades no litoral brasileiro. Só o Rio de Janeiro, até meu último número, já tinha passado a casa dos 2300 salvamentos. Como ele não é recente, com certeza, no país, a conta já chegou perto dos 2500.

É número para deixar os bombeiros orgulhosos de sua competência, mas também exaustos. Não é fácil lidar com essa ordem de grandeza em menos de um mês.

E não é por falta de aviso. As previsões do tempo têm sido enfáticas em ressaltar os comunicados da Marinha, dando conta de ressacas perigosas, e as praias estão devidamente sinalizadas com placas e bandeiras de perigo.

Então, se não é o leão, é a mulher do leão. São os nossos banhistas que acham que são irmãos de Namor, o Príncipe Submarino, e por conta disso entram no mar como se fosse uma piscininha de plástico.

Mar não tem beirada. Meu pai já dizia isso há 70 anos, quando eu comecei a frequentar o mar de Guarujá. E eu aprendia a lição. Durante os anos que eu naveguei pela costa paulista e carioca, sempre tive claro que mar não tem beirada. Que com o mar não se brinca.

E mesmo tendo um respeito religioso pelas águas salgadas, mais de uma vez tive que me esforçar para sair de uma correnteza, perto da praia, ou numa costeira, com as ondas quebrando na pedra.

A grande maioria dos frequentadores das praias nacionais não sabe nadar direito, não conhece mar e não tem noção do que fazer se for pego por uma correnteza.

O resultado tinha que ser esse. Como não respeitam placas ou outros avisos, entram onde não pode, sem saber o que fazer. Não tem como ser diferente. Por sorte os salvamentos bem-sucedidos são a maioria.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.