Quinta-feira gorda
Acabou-se o que era doce, agora é pegar no batente e se preparar para o carnaval do ano que vem. Será? Não, com certeza, não.
A festa segue em frente no próximo sábado, o resto é bobagem. Hoje é bom porque conserta o que faltou consertar ontem. O corpo precisa ar fresco, um pouco de descanso para as pernas, histórias novas, resgatadas de memória, para encantar as pessoas, e muito, mas muito fôlego para recomeçar tudo outra vez, atrás de um bloco menor para ficar mais intimista e mais gostoso.
Só quem já atravessou a cidade atrás dos megablocos sabe o que São Paulo pode oferecer no carnaval. Falam em 16 milhões de pessoas sambando e pulando atrás dos blocos de rua.
É festa para ninguém se arrepender. Tem de tudo um pouco e se procurar tem um pouco mais de um outro tudo, fantasiada de pirata, com shortinho sem bainha, tênis de marca e uma camiseta amarrada na cintura que mostra o suficiente para se imaginar a realidade e ter certeza que ela é a musa do momento, a possibilidade de toda aventura, por mares nunca dantes navegados.
Vento sul, chuva de nordeste, tanto faz, a biruta está louca, aponta para lá e para cá, mostra o rumo dos ventos no quadrante da bússola sem ponteiros porque todo rumo é norte por sueste.
Mais vale esperar mais um pouco. Logo, logo, a hora chega outra vez a gente sai feito louco, atrás da arca perdida, do dinossauro na última galáxia, do dragão adormecido.
Hoje, não. Hoje é descanso, vitamina de frutas, concentrado de soros e minerais, gelados, feitos na hora, em jarras batidas no liquidificador.
O mais é depois de amanhã, no próximo sábado, quando tudo volta a ser o que deveria ser e a possibilidade de ser feliz brilha na avenida.
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