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Às vezes, passa rápido demais

A COP30 veio, viu, não brilhou, fez o que deu e agora já está esquecida. Ninguém mais fala dela, ou de seus resultados, se é que teve alguma coisa concreta para ser comemorada, depois do show.

Não deveria ser assim, mas é. O petróleo da Venezuela já derrubou qualquer sonho de acontecer algo no sentido inverso da destruição do meio ambiente. E a guerra no Oriente Médio mostra que é por aí, não tem muito espaço para boa vontade no mundo pós Trump.

A produção de carros elétricos deu uma tremenda brecada, todos os prazos europeus foram adiados, enquanto nos Estados Unidos o problema é com o reabastecimento, que também freou a procura por eles.

O resultado é que a China, o maior produtor mundial de carros elétricos, e quem tem a melhor tecnologia, também decidiu abaixar o fogo e ir com menos sede ao pote.

Mas o drama vai além. As quantidades de gases de efeito estufa lançadas na atmosfera seguem muito acima do combinado entre as nações, colocando a espécie humana numa sinuca de bico complicada: se ficar o bicho come, se correr o bicho pega.

Para complicar mais um cenário que já está complicado, os últimos números sobre as reservas de água dão conta que estamos chegando no limite do suportável pelo planeta. Daqui pra frente pode não ter volta.

Mas seguimos em frente como se estivesse tudo bem. Cada clique dado numa rede social consome cinco gotas de água. Imagine os bilhões de gotas de água que são consumidas diariamente, multiplique por doze e fique apavorado com o resultado anual.

A COP30 se propunha a mudar o quadro. Pelo jeito a única coisa que mudou foi o preço dos hotéis, durante a conferência. Mas até estes já tiveram seu choque de realidade. Voltaram aos patamares anteriores.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.