Pressione enter para ver os resultados ou esc para cancelar.

Páscoa

[Crônica de 9 de abril de 2004]

Eu não sei a relação entre o coelhinho da Páscoa e a morte do Cristo. Há de haver uma, porque a Páscoa no Brasil é uma festa cristã e procurar os ovos de chocolate deixados pelo coelhinho da Páscoa, escondidos em algum lugar do jardim da fazenda de nossa infância, é uma tradição de família católica, ainda que não tão católica assim.

A Páscoa é uma festa alegre. Desde o começo é uma festa alegre, mas no começo não deveria ser. No começo da Páscoa Cristo morre crucificado, na sexta feira da paixão. Depois ele ressuscita e tudo vira festa, mas no começo, não.

No entanto para qualquer estudante, desde o começo a Páscoa é um feriado comprido, que já foi mais comprido, e para quem estudava no Dante Alighieri, mais comprido ainda, porque tinha a pascoela.

A Páscoa está diretamente ligada ao Brasil. O primeiro ponto avistado pela frota de Cabral foi o monte Pascoal, que é um morro na Bahia e não um novo tipo de bolo de chocolate.

Depois, a Páscoa se espalhou pela terra, atrás da religiosidade trazida pelos portugueses e facilmente assimilada pelos índios. Durante séculos as cidades do país foram palco de sofrimentos imensos nas procissões da paixão.

Até hoje, várias cidades do interior ainda têm procissões lindas, iluminadas com luzes de velas, para marcar a morte do Salvador. Nessa tradição brilha um lado bom da população. Um lado que fala da solidariedade, cada dia mais rara nesse mundo alucinado.

Na Páscoa a boa vontade se impõe como um manto, ou um sonho e debaixo dele o brasileiro sonha que se Deus quiser e o Cristo ressuscitado ajudar, amanhã pode ser muito melhor.

___

Siga nosso podcast para receber minhas crônicas diariamente. Disponível nas principais plataformas: Spotify, Google Podcast e outras.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.