Professor Miguel Reale Júnior
[Crônica de 24 de abril de 2006]
No dia quatorze de abril, o Brasil ficou mais pobre. Morreu o professor, jurista, advogado e filósofo Miguel Reale. Depois de uma vida digna e útil, o velho pensador saiu de cena.
Miguel Reale foi um homem diferenciado sob todos os aspectos da inteligência humana. Pensador brilhante, filósofo com sólida cultura e agudo senso de percepção, foi o criador da “doutrina tridimensional do direito” que até hoje tem impacto nas teorias jurídicas não apenas no Brasil, mas também em países com forte tradição jurídica e filosófica, onde sua tese foi encampada pela inteligência da argumentação e por solucionar problemas antigos que não encontravam resposta satisfatória nas doutrinas anteriores.
Ex-Reitor da Universidade de São Paulo, o professor Miguel Reale foi dos grandes professores da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, estando ao lado dos maiores, de todas as épocas.
Num país onde o presidente da república faz campanha pelo “desaprendizado”, alardeando seu orgulho por não haver estudado, a morte de um homem da estatura de Miguel Reale tem um lado mais triste, que vai além da morte do ser humano.
Ele foi o contraponto para a mediocridade que grassa em todos os níveis da vida pública brasileira e serve para dar a dimensão das diferenças entre o Brasil justo e ético, sonhado pelos homens de bem que lutam para dar sua contribuição durante uma vida útil e os que tomam o poder de assalto, sem outro interesse senão sugar a nação, se perpetuando no poder, sem dar nada em troca e sem se preocupar com o povo em nome de quem dizem que fazem.
Descanse em paz professor Miguel Reale. E que seu exemplo de vida se perpetue para servir de luz para os mais novos que vem chegando.
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