Eu conheço gente de Dom Pedro II
[Crônica de 26 de março de 2004]
Nelson Rodrigues uma vez escreveu que no Brasil tinham dois grandes esquecidos, o próprio Brasil e o Piauí, mas que, como tinham descoberto o Brasil, o único grande esquecido continuava sendo o Piauí. A crônica, na época teve imensa repercussão no Piauí, que se sentiu atingido em sua honra e que tomou todas as providências que os políticos costumam tomar quando precisam fazer um carnaval.
Mas, como acontece na vida real com mais frequência do que se imagina, o Piauí decidiu dar o troco e o deu de forma maravilhosa, tomando conta de um pedaço da vida de São Paulo que fez a cidade famosa no mundo inteiro. O Piauí entrou de sola no universo dos restaurantes paulistanos e está presente em alguns dos melhores, com seus filhos do município de Pedro II, que fica ao norte de Teresina, entre os municípios de Piripiri e Domingos Mourão, que também exportam filhos para trabalharem na gastronomia de São Paulo.
Faz tempo que eu sou freguês assíduo do Sushi Papaia, na praça Vilaboim. É rara a semana que não vou lá comer um executivo misto de sushi e sashimi, ou uma lula na chapa.
Por isso eu achei poesia pura a matéria sobre os moradores de Pedro II que deixam o Piauí para trabalharem nos bares e restaurantes de São Paulo. Bem no alto da página do Estadão estava a foto com meus amigos garçons do Sushi Papaia. Os três, mais o auxiliar de cozinha, com ar importante, segurando bandejas com saquê e cerveja.
Eu não sabia que eram de Pedro II, e muito menos do Piauí. Mas, pelo jeito como me atendem, só posso concordar com a matéria, para dizer para quem quiser ouvir que se os outros garçons, chefes e auxiliares de Pedro II forem tão bons como eles, precisamos importar o município.
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