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Uma aeronave a cada pouco mais de minuto

O aeroporto de Congonhas é uma máquina de fazer loucos. Dizem os administradores que nos próximos anos o quadro deve se agravar mais, quer dizer será uma máquina de multiplicar loucos.

Com as obras de expansão em andamento, não há razão para não acreditar que eles falam a verdade, ou pelo menos gostariam que essa fosse a verdade.

Sendo assim, nós os loucos afetados pelo aeroporto só podemos chorar, porque reclamar contra o progresso é rematada estupidez, ainda mais no Brasil, onde progresso é sinônimo de muita coisa que não faz bem a saúde da humanidade ou do planeta.

Em terra onde fonte luminosa não pode ser construída por causa da lei da gravidade e ela não é municipal, tem pouco coisa a ser feita. A sandice humana se impõe, absoluta, como a força dos porta-aviões norte-americanos dizendo que quem manda é o Trump.

Contra a foça bruta não há argumento. O tacape ganha da pena, por mais que digam que a pena é mais forte do que o tacape. Se não convencerem o dono do tacape do contrário, ele vai ganhar sempre.

Hoje, o aeroporto de Congonhas recebe uma aeronave a cada pouco mais de um minuto. É uma sinfonia dodecafônica constantemente em cima da sua cabeça. O espaço entre dois voos é o silêncio fazendo contraponto para a algazarra que se segue a ele.

E não há o que fazer, das seis horas da manhã em diante, o show não pode parar. Avião, depois de avião sobe e desce carregando milhares de passageiros por dia.

Como, você não tem nada com isso? Claro que tem. Você é o cidadão que paga impostos e por isso tem que sofrer todos os castigos imaginados pelo consultor para assuntos exotéricos de quem mora no inferno.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.