Dia dos Namorados
[Crônica de 12 de junho de 2003]
Amar é entender o movimento das estrelas, conhecer o curso secreto dos astros, saber das vontades do sol e da lua, dos eclipses e se eles são combinados, das nuvens, da chuva, das noites claras dos dias de outono.
Amar é saber que tudo tem uma razão de ser importante e que por isso tudo é importante, até aquele detalhe sem importância que pode fazer a companheira feliz. Uma telefonada, uma palavra solta como que sem sentido, um gesto, um beijo, uma flor fora de hora.
Cada movimento, para quem ama, tem uma linguagem própria que acompanha o coração e vai muito além da cabeça. Cada pequeno gesto é um universo sendo descoberto, um continente sendo conhecido, um novo planeta girando em volta de uma nova estrela, escondida lá no alto, para além dos telescópios e dos satélites que buscam vida no céu.
Quem ama sabe que existe vida no céu e que existe vida dentro da terra, como existe vida no mais profundo do mar, e na cratera dos vulcões.
Amar é a capacidade de dar vida ao sonho numa ação muito próxima e muito querida, que gera uma sensação nova, nascida na base da espinha, mas que se espalha pelo corpo e aquece a alma, porque tudo que é feito a dois é mais gostoso de ser feito.
É por isso que hoje é um dia muito especial. Hoje é Dia dos Namorados, o Dia dos Namorados se lembrarem que é um dia diferente, o dia deles, pelo menos na folhinha, porque, para quem ama, todo dia é Dia dos Namorados. É dia de comemorar a graça louca de amar, sem medo, totalmente, como o amor deve ser.
___
Siga nosso podcast para receber minhas crônicas diariamente. Disponível nas principais plataformas: Spotify, Google Podcast e outros.