A vista da praça
[Crônica de 2 de julho de 2008]
A Praça Pôr do Sol é famosa pela vista no final da tarde, quando sentadas nela, olhando para a direita, as pessoas têm um pôr do sol de deixar cena de filme com inveja.
Mas a praça também serve de referência para o crescimento da cidade. Dez anos atrás, olhando para esquerda havia um descampado que se estendia numa vista quase tão bela quanto o pôr do sol, abrindo a zona sul da cidade, pelas várzeas do rio Pinheiros, até se perder nas profundas de Interlagos.
Isso acabou. Agora, a vista é curta, vai até uma barreira de prédios erguidos logo ali, na avenida da igreja da Cruz Torta, como uma estacada imensa, pensada para conter uma invasão de gigantes alienígenas dispostos a conquistar São Paulo.
Prédio depois de prédio, o horizonte foi ficando curto e se encurta mais a cada dia, reduzindo nossa capacidade de respirar o ar puro que contrastava com a atmosfera paulistana.
Mas a vista fica mais curta também na direção do pôr do sol. Um pouco para o lado do horizonte a oeste, prédios novos sobem na velocidade do vento, enquadrando o sol em área delimitada, restrita ao brilho do final do dia, apenas por cima da Cidade Universitária.
E crescem prédios atrás da praça. A antiga Vila Beatriz, das casas pequenas e com ar de cidade do interior, não existe mais. Suas ladeiras íngremes foram tomadas por edifícios altos, de linhas arrojadas, fechando o horizonte atrás do Alto de Pinheiros.
A fila de prédio segue sempre além, corre mais rápido que a prefeitura, tomando de assalto zonas inacreditáveis e inesperadas, criando novas possibilidades para a materialização do sonho.
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