Pastel de queijo
[Crônica de 27 de fevereiro de 2003]
Do alto de seus 471 anos São Paulo já fez muita coisa boa e muita coisa ruim. É o preço que as cidades pagam por serem cidades, corpos vivos e dinâmicos que se espalham ou se encolhem, ao sabor de sua capacidade de gerar vida e riqueza.
Cada cidade tem um traço próprio, uma marca que a faz única, diferente de todas as outras, ainda que todas sendo compostas por imóveis, construções, praças, ruas e terrenos em teoria mais ou menos parecidos.
Entre as coisas boas de São Paulo o pastel de feira tem um destaque especial. Ele é ótimo e não tem igual em nenhum lugar.
Não há como comer e não gostar. Um pastel de feira só perde para outro pastel de feira, melhor. No mais, tchê – como diria o gaúcho – só comida feita pelos anjos, e mesmo essa, teria que ser a servida para Deus em dia de festa.
Pastel de feira é pecado puro, incentivo a gula, a luxúria, a soberba e a ganância. Em contrapartida é antídoto para o ódio, a raiva, o egoísmo e às vibrações negativas em geral.
Quem come um – se for de queijo nem se fala – quer comer outro, e outro, e outro, até se empanturrar de tal jeito que o jeito é deitar-se e dormir, em paz com a vida.
Pastel de queijo é o contraponto perfeito para nhoque, rim, miúdos de frango, fígado, couve-flor e mais um monte de comida ruim que somos obrigados a comer por necessidade ou boa educação.
Por sorte, existe pastel de queijo e comendo um ou lembrando do gosto, dá até pra rir, mesmo sabendo que no jantar tem quiabo.
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