Pressione enter para ver os resultados ou esc para cancelar.

O começo do começo

[Crônica de 5 de maio de 2005]

São Paulo nunca foi oficialmente fundada em 25 de janeiro de 1554. Se houve uma única fundação, esta deveria ser no ano de 1560, quando a vila de Santo André da Borda do Campo se muda, por ordem do governador geral, para os arredores do colégio dos jesuítas, para tentar dar número e manter a vila, porque tanto uma como outro estavam quase que desertos, tanto de brancos como de índios.

Em 1554 os jesuítas inauguraram seu segundo colégio, já que o primeiro havia sido fundado em agosto de 1553, na vila de Santo André, onde viviam brancos e índios, comandados por João Ramalho e seu sogro, Tibiriçá. A falta de importância da data pode ser avaliada pelo fato de Manuel da Nóbrega, o Provincial dos jesuítas não estar presente na missa de consagração do colégio, o que jamais aconteceria se em vez da consagração de uma escola, houvesse a intenção firme dos padres fundarem um povoado.

A região do colégio era melhor para ser defendida, por isso em 1560, quando João Ramalho e Nóbrega se entendem para salvar a vila existente no planalto, Santo André se muda com Câmara e tudo para a colina onde já estavam os jesuítas. É daí em diante que São Paulo de Piratininga começa a existir.

Mas essa história começa muito antes. Começa quando João Ramalho e outros brancos deixam o “Porto dos Escravos” (futura São Vicente) e sobem a serra, para se instalarem na taba de Tibiriçá, na beira do caminho do Peabiru, para ficarem mais próximos da região de onde vinham os índios capturados, para serem vendidos para reporem as tripulações mortas durante a travessia do Atlântico.

Quando, ninguém sabe exatamente, mas bem antes de 1532 eles já moravam no planalto.

___

Siga nosso podcast para receber minhas crônicas diariamente. Disponível nas principais plataformas: Spotify, Google Podcast e outros.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.