As campanhas nas ruas
As campanhas presidenciais estão nas ruas e o começo é o mais melancólico possível. De um lado um assessor da mais absoluta confiança do presidente da república recebeu grana de uma amiga do filho do presidente, investigada como lobista. De outro, o candidato a vice é acusado de estupro.
Não dá para começar pior. O que fica claro é que qualquer sinal de ética foi para o espaço. O que vale é o jogo bruto, ganhe quem ganhar, desde que quem ganhe seja um dos dois. Não interessa a nenhum deles ter um terceiro no páreo.
O dado triste é que o presidente é mais do mesmo, um discurso velho e ultrapassado e o filho do outro é fraquinho e cada vez que abre a boca ajuda seu adversário.
Os números das pesquisas vão na mesma batida. Um pouco mais, um pouco menos, mas sempre do mesmo. Seguido de análises complexas feitas por especialistas que discutem tudo, de bomba atômica a bomba de chocolate, porque a audiência não pode cair.
Melancolicamente, se esquecem que a eleição não é só para presidente. Tem governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual.
Dizem os gurus dos partidos que mais importante do que ganhar a presidência da república é fazer bancadas consistentes no Congresso Nacional. É aí que mora o poder. Nos dias de hoje, bancada forte manda no presidente e é isso que os partidos querem, até porque é assim que colocam as mãos nas boladas de dinheiro a sua disposição.
Bilhões de reais valem mais do que a presidência. Presidente precisa do Congresso que não precisa do presidente. Por isso vários partidos se mantiveram neutros, não apoiam ninguém. Quem ganhar negocia com eles.