O sarampo voltou
Quando eu era menino, tive todas as doenças que atacavam normalmente as crianças da época. Sarampo, catapora, cachumba, rubéola e as gripes e resfriados de todos os tipos que pegavam a turma no tempo que São Paulo era a terra da garoa.
Pois é, São Paulo já foi a terra da garoa. Os dias amanheciam cinzas e se estendiam assim, úmidos e frios, convidando o resfriado e a gripe a entrarem de sola, no que minha avó chamava uma constipação. O remédio era cama e chazinho para esquentar e espantar a friagem.
Na época já tinham várias vacinas e a gente era regularmente vacinado porque os pais sabiam que vacinas salvam vidas. Poliomielite, a terrível paralisia infantil, varíola, tétano, tuberculose, febre amarela e mais algumas que não estou lembrando eram prato cheio na vida das crianças.
E o Brasil pelas tantas se destacou no cenário internacional como um dos países mais eficientes nas campanhas de vacinação, indiscutíveis e necessárias para proteger sua população.
Passaram-se décadas e a estupidez chegou na forma de gente que acredita que a terra é plana e que vacina faz mal. Tanto faz a ciência, tanto faz a constatação prática da redução da mortalidade infantil, tanto faz todos os tantos fazes, de repente até gente instruída começou a contestar a eficácia das vacinas e parou de vacinar os filhos.
O resultado está aí. O sarampo voltou. Voltou e entrou de sola em São Paulo, justamente o Estado mais desenvolvido da nação e que deveria dar o bom exemplo. Não deu e agora é correr atrás, todo mundo para os postos de saúde, se vacinar contra o sarampo.
Vacinação não é matéria de politicagem barata, nem de demagogia eleitoral. É matéria de saúde pública de bem-estar social. Se tem quem não quer se vacinar, os outros não tem nada com isso. Vacina é vida.