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O sarampo voltou

Quando eu era menino, tive todas as doenças que atacavam normalmente as crianças da época. Sarampo, catapora, cachumba, rubéola e as gripes e resfriados de todos os tipos que pegavam a turma no tempo que São Paulo era a terra da garoa.

Pois é, São Paulo já foi a terra da garoa. Os dias amanheciam cinzas e se estendiam assim, úmidos e frios, convidando o resfriado e a gripe a entrarem de sola, no que minha avó chamava uma constipação. O remédio era cama e chazinho para esquentar e espantar a friagem.

Na época já tinham várias vacinas e a gente era regularmente vacinado porque os pais sabiam que vacinas salvam vidas. Poliomielite, a terrível paralisia infantil, varíola, tétano, tuberculose, febre amarela e mais algumas que não estou lembrando eram prato cheio na vida das crianças.

E o Brasil pelas tantas se destacou no cenário internacional como um dos países mais eficientes nas campanhas de vacinação, indiscutíveis e necessárias para proteger sua população.

Passaram-se décadas e a estupidez chegou na forma de gente que acredita que a terra é plana e que vacina faz mal. Tanto faz a ciência, tanto faz a constatação prática da redução da mortalidade infantil, tanto faz todos os tantos fazes, de repente até gente instruída começou a contestar a eficácia das vacinas e parou de vacinar os filhos.

O resultado está aí. O sarampo voltou. Voltou e entrou de sola em São Paulo, justamente o Estado mais desenvolvido da nação e que deveria dar o bom exemplo. Não deu e agora é correr atrás, todo mundo para os postos de saúde, se vacinar contra o sarampo.

Vacinação não é matéria de politicagem barata, nem de demagogia eleitoral. É matéria de saúde pública de bem-estar social. Se tem quem não quer se vacinar, os outros não tem nada com isso. Vacina é vida.

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Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.