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O ipê da rua Itatiara

[Crônica de 16 de setembro de 1999]

Para quem não sabe, a rua Itatiara é a rua que sobe do estádio do Pacaembu por traz da FAAP. É uma rua que foi planejada para ser calma, mas que, em função da faculdade, perdeu a calma já faz tempo, tendo o dia inteiro um trânsito infernal, piorado pela falta de respeito dos motoristas que param em fila dupla dos dois lados, pra ficar mais fácil descer do carro.

Por causa disso, a rua Itatiara que deveria ser uma rua alegre, como as ruas calmas de bairro costumam ser, ficou uma rua triste, como se estivesse  deslocada, apesar das ruas à sua volta também terem perdido sua paz.

O grande mérito da rua Itatiara, o que a faz famosa em todas as partes do Brasil, é que debaixo dela corre um dos dutos do piscinão do Pacaembu, responsável pelo fim das inundações no pedaço e antiga morada do imperador dos jacarés.

E é nessa rua, ou melhor, numa das calçadas dessa rua, que tem um ipê amarelo florindo fora de época.

Existem várias teorias tentando explicar o fenômeno. A mais prosaica é que o ipê floriu atrasado porque simplesmente perdeu a hora na época certa.

Outra, diz que a florada chegou em setembro como protesto contra os jacarandás rosa, que sendo a árvore símbolo de São Paulo, este ano atropelaram os ipês, que são a árvore símbolo do Brasil, florindo ao mesmo tempo e causando uma enorme confusão.

Apesar de lógica, eu não gosto desta explicação. Ela não acrescenta nada de bom ao país, já que só acirra diferenças regionalistas, ressuscitadas por políticos que não medem as consequências de seus atos e que fazem qualquer coisa para ocupar espaço.

Para mim, o verdadeiro motivo da florada atrasada do ipê da rua Itatiara é que ele está fazendo  uma tentativa desesperada para salvar a onça do muro da administração da FAAP das garras das unhas de gato.

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Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.