Os nomes das ruas
[Crônica de 22 de outubro de 2007]
São Paulo está sendo reinventada pela prefeitura. Com as novas placas de ruas, a cidade está sendo realocada, com pontos de referência difusos, que não servem para nada e que não ajudarão a nova ponte da Marginal Pinheiros a dar rumo para quem anda por aqui.
Por exemplo, o Almirante Pereira está interessado no que acontece na praça W. Wilkie, assim como o Gabriel está interessado em conversar com o Joaquim para acertarem os ponteiros de suas esquinas. Quem? Pois é ninguém sabe.
Para não falar em outros nomes que não dizem nada a ninguém, mas deveriam servir de base para a localização das pessoas nas mais diversas situações, de assaltos a simples vontade de saber onde se está.
Ninguém é contra as placas das ruas serem mais fáceis de serem lidas, mas entre isso e a forma como está sendo feito, vai um espaço enorme que mostra apenas que não há qualquer pesquisa para preservar a história da cidade e as razões de sua evolução.
Não que a prefeitura esteja fazendo algo diferente do que sempre aconteceu. Não está, tanto que durante muito tempo ninguém soube quem era o Major Quedinho, apesar de ser a rua da sede do jornal O Estado de S. Paulo e esconderijo de um grande sanduíche.
Quem foi D. Augusta, ou D. Angélica? Na origem deste desconhecimento está a falha de se retirar das senhoras o ilustre sobrenome. O mesmo erro que a prefeitura comete agora, justamente depois de resgatar os nomes originais de pontes e túneis descaracterizados por nomes esdrúxulos dados ao longo do tempo.
Repetindo, nada contra encurtar nomes compridos, mas pelo amor de Deus, respeitem ao menos o nome do cidadão.