A reforma da igreja
[Crônica de 22 de dezembro de 2009]
Uma das igrejas mais simpáticas e mais charmosas da cidade é a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, erguida no largo do mesmo nome, ao lado da Igreja de São Francisco há mais de duzentos anos.
É uma igreja tipicamente colonial paulista. Simples, de linhas com pouca criatividade, ela tem uma beleza peculiar, que mostra como São Paulo era pobre, ainda mais se a compararmos com as igrejas da mesma época, erguidas no Rio, em Minas ou na Bahia.
Faz tempo que a ordem Terceira de São Francisco corre perigo. Devorada pelos cupins, sua estrutura bicentenária ameaçava ruir, levando junto o prédio do convento dos franciscanos e a escola que existe ali.
Imitando os filmes de caubói, quando parecia que a igreja não teria mais salvação, a cavalaria chegou.
O governo do Estado deve custear sua reforma.
É medida de extremo bom senso e respeito ao passado de uma cidade e de uma gente que corre desde o começo dos tempos, lá se vão quinhentos anos.
Restaurar a igreja da Ordem Terceira de São Francisco é resgatar o passado da cidade, preservando com a igreja, o local onde estão enterrados alguns dos maiores nomes da história paulista.
É reintroduzir o mistério da caveira de uma cabeça de mulher achada em seus desvãos, e que por muito tempo ficou guardada em seu altar.
É manter o desenho original do Largo de São Francisco, composto pelas duas igrejas e pelo prédio da Faculdade de Direito.
É enfim, uma prova de amor a cidade. Um compromisso com suas raízes e a certeza de se estar reintroduzindo um toque de poesia.
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