A Embrapa precisa avançar
Em 1972, o Professor José Pastore coordenou o Grupo de Trabalho que propôs a criação da Embrapa. Inaugurada em 1973, a Embrapa é uma das principais responsáveis pelo Brasil ser uma potência agropecuária. Segundo produtor de grãos e maior produtor de proteína animal, o país tem lugar de destaque entre as nações.
Sem a Embrapa, este caminho seria muito mais difícil e mais longo. É verdade, a Embrapa não é a única responsável pelo salto na produção agropecuária brasileira. O Instituto Agronômico de Campinas, a Escola Luiz de Queiroz, da USP, a Faculdade de Agronomia de Viçosa e outras instituições já existiam e faziam sua parte.
Mas a Embrapa é a curva, o divisor de águas. Antes dela, era de um jeito, numa velocidade; depois dela, era de outro jeito, em outra velocidade. Com sua implantação baseada nos princípios propostos pelos seus criadores, ela se desenvolveu rapidamente e trouxe resultados extraordinário para a agricultura brasileira.
Estes princípios eram: 1 – admitir e promover apenas em função de mérito; 2 – administração leve e renovável; e 3 – flexibilidade para interagir com o setor produtivo. Graças a eles, durante décadas, a Embrapa cumpriu sua missão e se destacou como um dos mais importantes órgãos de pesquisa agropecuária do planeta.
Mas esta situação mudou. Com o enrijecimento das regras aplicáveis às empresas estatais, a Embrapa perdeu a administração leve e renovável, a flexibilidade para interagir com os produtores rurais e as verbas para pesquisas caíram 80% nos últimos dez anos.
Como escreveu o Professor Pastore, os diagnósticos para seu resgate estão feitos, agora cabe ao governo implementar as mudanças.
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