Congonhas
Teve época que o legal era tomar café da manhã no Aeroporto de Congonhas. Sair da festa e em vez de ir para casa dormir, tocar para o aeroporto e tomar café vendo os primeiros aviões decolarem. São Paulo era outra cidade e o aeroporto era outro aeroporto, para embarcar e desembarcar as pessoas atravessavam a pista caminhando. Não tinha ônibus e muito menos finger. Era a pé e tudo bem, saia do prédio do aeroporto, atravessava a pista, subia a escada e embarcava. Na volta era ao contrário.
As companhias aéreas eram Varig, VASP, Transbrasil, e antes delas Real, Paraense e outras que também desapareceram. Os aviões, capitaneados pelos Electras, eram a pistão, os jatos chegaram depois, nessa época eram Visconts, Samurais, Dart-Herald e outros que eu não lembro mais o nome.
Mas São Paulo cresceu, o tráfego aéreo também e o aeroporto foi na toada, mas mais devagar, até porque os militares queriam que o Galeão fosse o grande aeroporto brasileiro. Não deu, com a construção de Guarulhos o óbvio ficou óbvio, o grande movimento de passageiros estava em São Paulo. Em pouco tempo Guarulhos se tornou o maior aeroporto brasileiro e Congonhas o segundo.
Mesmo assim, Congonhas seguiu acanhado, espremido na construção original. Aos poucos foi sendo modernizado, instalaram os fingers. Puxaram o telhado mais para cá, a construção original ficou dentro da nova, abriram um estacionamento com bastante vagas e aí não parou mais, até a privatização, que prometeu muito, mas até agora entregou muito pouco.
De qualquer jeito, com certeza, tomar café da manhã em Congonhas deixou de ser o programa. Cada época é única.
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