Férias de verão
Faz muitos anos que todos os verões eu escrevo uma crônica parecida com essa. Uma ode aos dias de verão. Os dias de férias que esvaziam a cidade e permitem ao paulistano fins de tarde gostosos, com os amigos em volta de uma mesa de bar, bebendo um chope gelado e jogando conversa fora.
As férias de verão são a grande benção da cidade. O momento que seus moradores se vingam do caos no trânsito, dos marronzinhos que não aparecem, da cúpula da polícia que diz que faz, mas faz menos do que diz.
Nas férias, até o trânsito fica mais amigável, mais civilizado. As loucuras e imprudências não acabam, mas melhoram e os motoqueiros alucinados têm mais espaço para suas barbaridades, as ruas ficam mais vazias, aumentam os buracos para passarem feitos loucos, sem arrancar espelhos retrovisores.
Em janeiro a música fica mais nítida, a noite mais clara, o dia mais legal. Não tem tanta gente nas ruas, não tem brigas sem razão, ou melhor, elas ficam mais difíceis, mas seguem acontecendo.
Tem coisas que não terminam, não têm como terminarem, não têm solução. Entre elas, a falta de educação, de simpatia, de solidariedade. Faz parte da vida ser assim. Tem quem colabora e quem não colabora, porque se acha mais importante do que os outros, então pode tudo, até ser patético.
Voltando ao lado bom das férias de verão, vamos nos sentar na varanda do bar, pedir um chope gelado e jogar conversa fora. Vamos ver o mundo com outros olhos, esquecer que este ano tem eleição e que a coisa ficará feia. Que o mundo vai caindo pelas bordas, que falta água, comida e moradia para muita gente. Que tem o lado feio. Agora é hora de relaxar, de deixar a vida correr, do riso se espraiar pelos olhos e terminar num gesto de carinho ou amizade. Viva os dias de férias, penas que eles acabam.
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