A culpa não é do cachorro
Você sai para caminhar com seu cachorro e de repente, um pitbull alucinado vem que nem guepardo fugindo de leão atacar vocês.
Aconteceu num sábado de manhã na Cidade Universitária. E as vítimas foram a Clotilde, minha cadelinha boxer, e eu. Não cabe culpar o pitbull, com certeza ele não tem culpa, apenas seguiu seu instinto e se atirou para cima da Clotilde com a violência de uma vaca recém parida.
A culpa é do idiota que deixa um pitbull solto, enquanto bate papo com os amigos. Seu comportamento diz tudo.
O fantástico é que a lei não só obriga estes animais a ficarem permanentemente na coleira, como também obriga o uso de focinheira, o que evidentemente, não foi o caso na pequena aventura que poderia ter acabado mal, porque no meio da briga entre o pitbull e a Clotilde, eu, segurando a guia dela, acabei caindo no chão.
Eu só percebi o que iria acontecer quando ouvi o grito – segura! – e ao olhar para o lado dei com a fera solta, rosando e correndo em nossa direção. A Clotilde também percebeu e se preparou para a pancada.
O pitbull entrou com tudo, mas ela segurou o primeiro ataque e mordeu o cachorro na pata dianteira. Eu tentei separar os dois, puxando a Clotilde pela coleira, mas sem muito sucesso. Por sorte, amigos do dono do pitbull também entraram na briga e conseguiram segurar a guia da fera. Puxa daqui, puxa de lá, os dois foram separados, enquanto eu me vi no chão, com a cabeça a poucos metros da mandíbula do pitbull. Por sorte ele não me atacou e a Clotilde também não se feriu.
Vocês acham que o dono da fera mostrou alguma preocupação? Nenhuma, mal se desculpou, atestando se tratar de um idiota completo. Como nem eu nem a Clotilde nos machucamos achei melhor deixar barato. Afinal o que um idiota poderia fazer se eu reclamasse?
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