Água, a coisa é séria
Sem água não há vida. A vida começou no mar e evoluiu para a terra. Tudo bem, é um começo interessante, até porque teve animal que depois voltou para o mar e vive muito bem nas águas salgadas que circundam os continentes.
Sem água, não há vida humana. O ser humano pode ficar sem comer vários dias, mas sem beber é mais complicado, o prazo é bem mais curto. Não bebeu, morreu. É por aí, sem salvação ou milagre, se não arrumar água a história acaba mal.
E é nessa curva que São Paulo ameaça querer entrar. Nossos reservatórios estão na bacia das almas, suas quotas estão baixas e, na medida que sobem pouco, mesmo em plena época das chuvas, o futuro não parece muito alentador.
Ninguém espera ver o Cantareira com as águas vazando pelas bordas. Nem o Cantareira, nem os outros. Mas fica pior quando se olha a Represa de Guarapiranga. Lá a água além de tomada pelas algas, está contaminada com tudo e mais alguma coisa, como coliformes fecais, cocaína, pílula anticoncepcional, fármacos em geral, para não falar nos microplásticos que invadiram o planeta.
Tirar água de Guarapiranga é complexo e dizem as más línguas que os processos utilizados estão no mínimo ultrapassados. Mas mais grave do que isso, não há explicação do que é colocado para afundar as algas e permitir a extração da água. Também não contam o que é adicionado para tornar a água potável. O fato é que ela tem cor, gosto e cheiro, ao contrário do que dizem os livros escolares, no capítulo da definição da água.
Como se não bastasse, mais de 1/3 da água tratada é perdida em vazamentos na tubulação. Não há dúvida, temos que economizar, mas exigir competência de quem cuida também não faz mal a ninguém.
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