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O carnaval mudou, faz tempo

Quem assiste os filmes antigos, ou vê velhas revistas com fotos dos bailes de carnaval não acredita que aquilo realmente existiu, que era assim que as pessoas pulavam carnaval.

Um homem de smoking, ao lado de uma mulher de vestido longo é tão improvável quanto um bando de orcas desfilar na avenida, na comissão de frente da escola de samba campeã. Tinha baile em que a vestimenta era obrigatória, a exceção eram as fantasias, com elas, as pessoas eram dispensadas da formalidade e podiam se soltar salão afora, sem medo de ser feliz.

Valia tudo e a lança-perfume fazia a diferença. Ou nem tanto, nos dias de hoje existem outras mágicas mais potentes do que os tubos dourados com o líquido mágico que deixava todo mundo alegre.

Cada um sabe de si, tem quem diz que era mais divertido, mais bonito, mais sensual. Sei lá, cada época é cada época e querer reviver o passado é quase como querer que os bancos exijam de seus funcionários que trabalhem de paletó e gravata.

Ah, as havaianas e as baianas com generosos decotes que deixavam ter uma antevisão dos seios e prometiam o paraíso, que nem sempre acontecia, pelo menos do jeito que o malandro esperava.

A festa marchava ao ritmo de orquestras que tocavam grandes sucessos, muito deles politicamente incorretos e proibidos nos dias de hoje. Todo mundo pulava, se abraçava, se beijava e suava com o corpo coberto de confete, raspando em outros corpos que achavam tudo muito bom.

Era outra festa, outra pegada. Mais sacana? Quem sabe, sim, mas a noção de sacanagem era outra, menos definitiva, nem sempre o fundo do mar era o fim da aventura. Era diferente, e era bom, as revistas da época mostram. Comparar nunca fez mal a ninguém.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.