Blocos e megablocos
O carnaval de São Paulo mudou de nível, se antes tinha muitos blocos, agora tem muitos megablocos. Aliás, a tendência vem se acentuando faz alguns anos. E o fenômeno cresce num ritmo frenético, parecido com frevo na madrugada, quando as pessoas se soltam de verdade, sem medo de ser feliz.
Pode mais quem chora menos, os megablocos atraem mais de 1 milhão de pessoas… e sai da frente porque eles vão passar. E passam, lentamente, para que todos possam seguir a festa, com cerveja na mão e muito amor no coração.
Quem quer ser feliz encontra aqui, quem quer se divertir encontra aqui, quem quer pular encontra aqui. O resto é bobagem, mas não pode bobear, se bobear corre o risco de perder o celular, a carteira, a ilusão de que no carnaval todo mundo é bonzinho e o que a turma quer é dividir muito amor.
Tem quem acredita e se empenha atrás destes princípios, ou do sonho de que numa terra cada dia mais conturbada, nos dias de Momo a coisa muda, a fervura baixa e a palavra de ordem é amor, com tudo de maravilhoso que ele traz consigo. Pelo menos até a ressaca passar e a gente descobrir que depois da alegria, do trio elétrico com 1 milhão de pessoas, vem o dia seguinte e a obrigação de sair da cama para trabalhar.
Só quem já passou pela experiência sabe o que é trabalhar depois de 4 dias alucinados, sem amanhã ou esperança de futuro, numa alegria que se confunde com felicidade e mistura cigarro com cerveja, no beijo consentido, no meio da avenida.
1 milhão de pessoas é muita gente, acaba ficando sem espaço para pular, mas aí é soltar o corpo e deixar rolar, levado, espremido da multidão. Olá, quem é você? Eu sou todas as possibilidades, o sonho, o encontro e a chance de te fazer feliz. Vamos nessa, agora, depois é tarde.
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