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Depois do carnaval

Dizem que agora vai, o Brasil pega no tranco e entra de cabeça no ano novo que começou em primeiro de janeiro. Será? Tenho sérias dúvidas, inclusive porque não tenho a menor certeza de que o carnaval acabou de verdade. E a tradição é o país começar a girar depois do carnaval.

Se o carnaval não acabou, não vai pegar no tranco porque falta o combustível essencial para o motor girar. Não vamos nos esquecer que o país está mais para Opala 1971 do que para carro elétrico chinês.

O motor tem carburador, catravanca e girosplique e pode ter um problema antes de pegar no tranco. Já pensou um pompongalho no Congresso, uma birimbeta no Supremo ou um pneu furado no executivo?

Tudo que foi prometido fica só na promessa, aliás, como costuma acontecer no mundo real. Afinal de contas as promessas foram feitas para serem quebradas, que o diga Chamberlein, pego de surpresa por Hitler, depois da conferência de Munique.

Entre secos e molhados, temos como certo que ninguém chamou a Fundação Cacique Cobra Coral para falar sobre os eventos extremos que estão chacoalhando o Brasil de sul a norte, com tempestades, tornados, granizo, enchentes e o mais que natureza pode jogar em cima de nós.

Também é certo que Brasília é um lugar diferente do resto do Brasil, começando pelo salário médio de seus habitantes. Os do Plano Piloto, evidentemente, porque nas periferias a miséria segue o padrão nacional.

Tem gente dizendo que o barco partiu e que a madrugada de um novo ano de prosperidade será em vários tons de vermelho, numa festa de cores anunciando o futuro de paz, fartura e prosperidade.

Tem gente que diz que o vermelho é o reflexo dos vários fogos que destroem a nação, desde a vergonha moral, até incêndios no Pantanal.

Se você sobreviver ao ano eleitoral, você saberá do que se trata.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.