Tempestades de verão
Não tem jeito, entra ano, sai ano, é a mesma coisa. As tempestades de verão entram na dança, atingem as mais variadas regiões, varrem o país, causam danos, matam, transformam ruas em rios e morros em avalanches; as encostas descem, levando o que tem no caminho, sem que ninguém possa fazer alguma coisa, exceto, depois, ajudar a minimizar os danos.
Este ano não está sendo diferente. As chuvas já varreram o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais.
Faz pouco tempo o drama cobrou sua cota de vítimas no litoral paulista, em Ubatuba e Peruíbe, e seguiu até Minas Gerais, para levar morte e destruição a Juiz de Fora e Ubá.
Uma tempestade é um fenômeno maravilhoso e aterrador. Os grossos bagos de chuva caindo enviesados, num ritmo alucinante, enquanto as árvores se dobram, subjugadas pela ventania assusta e maravilha.
Quer dizer, assusta e maravilha quem está protegido, vendo a tempestade se espalhar, além de qualquer controle humano, a prova de defesas, a prova de previsões, dona do espaço e do tempo, que se curvam a sua força.
Quem está na linha de frente não se maravilha, se apavora, sente o medo atávico dos elementos naturais fora de controle cobrando seu preço. A destruição é a sua assinatura, a morte o cartão de visitas.
Encostas vêm abaixo, arrastando casas, derrubando casas, cobrindo casas, soterrando pessoas, muitas delas sem tempo de entender o que aconteceu.
O depois é a lama escorrendo na água que vai em busca de seu caminho. Os destroços de vidas inteiras, de lembranças, de alegria que não existe mais e não volta. Sobram olhos assustados e sem respostas.
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