O paraíso é aqui
[Crônica de 16 de junho de 1999]
Dependendo do ponto de vista, o paraíso do mundo é São Paulo. Eu sei que tem muita gente que vai contestar a afirmação, mas, como eu disse, tudo depende do ponto de vista e de quem está julgando a qualidade de vida oferecida pela imensa metrópole.
É quase certo que gente não vai concordar comigo. Afinal, aqui morre, só de morte matada, muito mais gente do que morre na Iugoslávia, com guerra e tudo.
É verdade que existem os sádicos e os masoquistas e estes são bem capazes de votar em São Paulo, por conta de todas as emoções fortes que a cidade proporciona.
Mas, gente normal, essa eu não acredito que vote, mesmo aquelas que gostam da cidade e que não vão sair daqui porque não querem morar em nenhum outro lugar. São Paulo, sob a ótica humana, pode ser boa, mas nem tanto. Não dá para eleger a cidade o paraíso na terra.
Já sob a ótica dos pombos isso tudo muda. No ritmo que vai, nem Veneza, daqui a pouco concorrerá conosco. Lá, o prefeito quer esterilizar os pombos e isso é coisa que aqui não passou pela cabeça de ninguém. E sob o ponto de vista das baratas, então, a capital paulista é, sem sombra de dúvida, o paraíso melhorado.
O lugar que só existia nas histórias de fada e que, de repente, se transformou em realidade. São Paulo tem 3 bilhões de baratas! Não é à toa que São Paulo tem 3 bilhões de baratas, que é muito mais do que a soma de todos os pombos com todos os ratos.
São Paulo tem esse número impressionante de baratas porque a falta de higiene, nociva para nós, é tudo que elas querem para se multiplicar exponencialmente.
Em bom português, a nossa sujeira é o paraíso das baratas, com tudo de ruim que isso tem para nós.
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