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Dia de sol

[Crônica de 25 de dezembro de 2009]

As chuvas vão caindo com a insistência dos aríetes romanos derrubando muralhas. Batem, batem, batem, até deixar o coração apertado, o chão encharcado e as ruas cheias, feitas em novos rios descobrindo seus leitos.

Nada de novo debaixo do sol. É assim desde sempre, só que agora o assim ficou mais violento. Ou pelo menos, parece.

Quem sabe disso é a Josélia Pegorin que movimenta informações misteriosas a respeito do tempo e de suas manias. Pra mim, vale a chance de um dia de sol.

É verdade que, nessa época, sol quer dizer calor e o calor tem aumentado no ritmo das chuvas, o que faria minha avó definir os dias de sol como “dias de calor africano”. É verdade. Não me lembro de outras vezes em que São Paulo ficou tão quente assim.

Nesta época, tradicionalmente, faz calor, mas tem estado quente demais. Sei lá, quem sabe seja um anjo querendo estourar pipoca, o fato é que vamos suando, suando, feito fontes nas pedras, ou flores de espatódea espremidas pelas crianças fazendo guerra de mija-mija.

Tanto faz. Eu quero os dias de sol. Ver o azul profundo varar a poluição e se perder no infinito atrás do sol. Sentir o calor abrasador arder na pele do ombro e arrancar suor do corpo.

Os dias de sol são belos. Ainda que me digam que não são saudáveis, são belos e sua beleza contagia e muda o humor das pessoas. Afinal, é tempo de horário de verão, as férias estão aí e a cerveja já está gelando nas geladeiras dos bares.

Vamos aproveitar, antes que a chuva caia de novo.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.