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Janeiro

[Crônica de 5 de janeiro de 2004]

Podem dizer o que quiserem, mas a verdade é que São Paulo em janeiro é uma delícia. Em primeiro lugar o trânsito anda sem muito esforço, sem muita raiva dos motoristas, apesar da incompetência crassa da CET continuar invertendo a ordem dos sinais em quase todas a ruas da cidade.

Tão importante quanto isso, os bares e restaurantes também ficam mais vazios, ou, pelo menos, menos cheios, o que favorece o bom humor de quem sai de casa porque não precisa ficar um tempão esperando, enquanto os amigos da casa, logicamente, passam na frente.

Até os cinemas, que ao longo do ano são inviáveis, porque têm dez vezes mais gente que cadeiras, ficam aconchegantes e recebem quem vai com uma equação onde  as cadeiras e as pessoas mais ou menos se equivalem, permitindo uma certa dose de conforto, junto com a coca cola e a pipoca.

O resultado da soma dessas 3 variáveis é mais que suficiente para ter outro impacto importante na vida da cidade: o paulistano por conta delas fica mais solto e aceita a vida de forma mais leve, com menos vontade de matar o outro, ainda que o outro merecendo levar pelo menos um susto, pela falta de civilidade na fechada, na furada de fila, e em outras ações tristes comuns de acontecerem por aqui.

Até ver um estafermo jogar lixo na rua dá menos raiva do que durante o resto do ano. E isso acontece sistematicamente, como que atestando que o que os políticos fazem não assusta muita gente que faz igual, só que sem ser política.

É por isso que ficar em São Paulo em janeiro mais que gostoso, faz bem pro corpo e pra alma. A gente relaxa e aproveita o que a cidade tem de bom de uma forma que é impossível nos outros meses.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.