O arco das quaresmeiras
[Crônica de 30 de janeiro de 2008]
A Rua Arquiteto Jaime Fonseca Rodrigues, além do nome comprido, une a Praça Panamericana à Vila Beatriz, que é, segundo Geraldo Nunes, irmã da Vila Madalena.
Pelo sim, pelo não, os dois bairros fazem divisa, com A Vila Beatriz mais residencial e a Vila Madalena bastante baladeira. Coisa de uma cidade que cresce no susto, sem muito planejamento e com o mais absoluto desprezo pelo que pensam os urbanistas.
Tanto faz, é assim e ponto. Quem sabe por isso, por saber que é assim, tem gente, com mais espírito comunitário, que tenta diminuir o estrago, buscando alternativas para fazer a vida mais fácil, ou pelo menos mais bonita.
É só ver as floradas, que o ano inteiro se sucedem, para se ter claro o forte comprometimento da vida vegetal com o bem-estar da coletividade. Elas tomaram para si o dever de embelezar as regiões em que estão plantadas, escondendo o cinza que toma conta do céu e dos muros.
Briga de gente grande, onde o cinza recebe o auxílio do progresso, na poluição louca que suja e envenena São Paulo. Nem todo mundo faz o que pode, por isso aqueles que fazem mereceriam medalhas comunitárias e honrarias públicas.
Como nem sempre são amigos de algum vereador, invariavelmente passam batidos, sem qualquer agradecimento, ou ao menos um aceno de cabeça, como lembrança do que fizeram.
É o caso de duas quaresmeiras, cada uma dum lado da Rua Arquiteto Jaime Fonseca Rodrigues, logo depois da Praça Panamericana. Uma roxa e outra rosa, resolveram formar um arco por cima da rua para embelezar o dia de quem passa por baixo.
___
Siga nosso podcast para receber minhas crônicas diariamente. Disponível nas principais plataformas: Spotify, Google Podcast e outras.