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O fim do diálogo

O grande problema da radicalização política que complica a vida do mundo ocidental não são as ideias diferentes defendidas pelos diferentes grupos, mas a não aceitação pura e simples de tudo que está fora da cartilha de cada grupo.

Se eu faço parte do grupo A, tudo que não estiver em consonância com as afirmações do grupo A não serve para nada, é lixo, que deve ser jogado no lixo em nome da limpeza moral pregada pelo grupo A.

Acontece que o grupo B pensa diferente do grupo A e para ele tudo que o grupo A pensa não serve para nada e deve ser jogado no lixo em nome da defesa da limpeza moral que o grupo B prega.

E assim sucessivamente, grupo depois de grupo, todos renegam peremptoriamente tudo que não estiver em sua cartilha, ou seja, inviabilizam a possibilidade do diálogo, fundamental para o avanço e a paz social.

Este cenário condena a democracia a um fim melancólico, no qual regimes autoritários travestidos de democracias, fingem que são o que não são e são aceitos pelo concerto das nações, que, por sua vez, também vive regimes menos livres do que apregoa.

Entre secos e molhados, não há diálogo possível. Até entre amigos e familiares as diferenças atingem graus apavorantes, que destroem em 5 minutos amizades construídas ao longo de décadas.

Quantas vezes nos últimos anos, assisti a quase que rupturas de ralações ou rupturas efetivas, porque um vota nesse e outro vota naquele. É um pecado votar diferente do que o “meu” grupo pensa. Quem faz isso está destruindo o país, que não precisa ser necessariamente o Brasil. O radicalismo é moda internacional.

Democracia é diálogo e busca de consenso, mas isso é um detalhe que não tem a menor importância. “Quem está certo sou eu”!

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.