O fim do diálogo
O grande problema da radicalização política que complica a vida do mundo ocidental não são as ideias diferentes defendidas pelos diferentes grupos, mas a não aceitação pura e simples de tudo que está fora da cartilha de cada grupo.
Se eu faço parte do grupo A, tudo que não estiver em consonância com as afirmações do grupo A não serve para nada, é lixo, que deve ser jogado no lixo em nome da limpeza moral pregada pelo grupo A.
Acontece que o grupo B pensa diferente do grupo A e para ele tudo que o grupo A pensa não serve para nada e deve ser jogado no lixo em nome da defesa da limpeza moral que o grupo B prega.
E assim sucessivamente, grupo depois de grupo, todos renegam peremptoriamente tudo que não estiver em sua cartilha, ou seja, inviabilizam a possibilidade do diálogo, fundamental para o avanço e a paz social.
Este cenário condena a democracia a um fim melancólico, no qual regimes autoritários travestidos de democracias, fingem que são o que não são e são aceitos pelo concerto das nações, que, por sua vez, também vive regimes menos livres do que apregoa.
Entre secos e molhados, não há diálogo possível. Até entre amigos e familiares as diferenças atingem graus apavorantes, que destroem em 5 minutos amizades construídas ao longo de décadas.
Quantas vezes nos últimos anos, assisti a quase que rupturas de ralações ou rupturas efetivas, porque um vota nesse e outro vota naquele. É um pecado votar diferente do que o “meu” grupo pensa. Quem faz isso está destruindo o país, que não precisa ser necessariamente o Brasil. O radicalismo é moda internacional.
Democracia é diálogo e busca de consenso, mas isso é um detalhe que não tem a menor importância. “Quem está certo sou eu”!
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