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Oscar Freire a fora

[Crônica de 15 de abril de 2002]

Teve época em que andar pela rua, na cidade de São Paulo, era comum e gostoso. As pessoas iam de um lado para o outro, em calçadas nem sempre muito bem cuidadas, mas que eram bem melhores do que a média das calçadas de hoje. E o iam de um lado para o outro podia ser uma distância grande, de alguns quilômetros, sem risco de vida, a não ser morrer atropelado, porque o motorista paulistano nunca ligou muito para o detalhe chamado pedestre.

Foi uma época mais calma, se bem que à época, todo mundo já achasse que a cidade era insuportável, o que só vem demonstrar a elasticidade dos conceitos e como insuportável pode significar várias coisas.

Não era um “futing” de cidade do interior, mas andar para cima e para baixo na Rua Augusta tinha um charme todo especial, além de servir para ações menos dignas, como roubar discos na Hi-Fi.

E o centro da cidade se movia em ondas, que desviavam dos camelôs que já existiam, como as ondas desviam das pedras. O movimento na rua Direita ou na praça do Patriarca, era de várias centenas de milhares de pessoas por dia.

Hoje ainda existem ruas muito bonitas e gostosas de se passear. Quem sabe a melhor seja a rua Oscar Freire.

A Oscar Freire é a vitrine do luxo do mundo instalada em São Paulo. As melhores lojas e as melhores marcas estão lá. E só isso já é mais do que suficiente para fazer do passeio pelas suas calçadas um prazer.

Não tem quem não goste de coisa bonita. Não gostar do belo não é humano. E, tirando algum louco, muito louco, não é possível achar as vitrines da Oscar Freire feias. O problema é que dá algum medo, se não das calçadas, dos seguranças ou do risco de um assalto.

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Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.