A Billings
A Sabesp descobriu a Represa Billings. Depois de mais de 80 anos, descobriram a maior represa de São Paulo. A Billings, que é maior do que o Sistema Cantareira, atualmente, o mais importante manancial de água da Região Metropolitana.
Desde antes de eu menino, indo de fusca para o Guarujá, a Billings sempre esteve lá, na zona sul, entrando pelo ABC, com a enorme ponte – para os olhos de um menino – da rodovia Anchieta cruzando sobre ela.
Vista de cima, chegando de avião, a represa é impressionante. Se estende por uma grande área que contorna a cidade, com ocupações de todos os tipos tapando o solo que devia ser protegido por lei.
Durante anos a região em volta da represa foi invadida, vendida, ocupada clandestinamente, ao que dizem os entendidos, com auxílio de políticos inescrupulosos, pouco preocupados com a qualidade da água.
O resultado, e a Sabesp até agora não disse isso, é que o índice de poluição da represa é altíssimo, e se não compromete a possibilidade de retirada da água, vai encarecer muito o procedimento.
Seja como for, o nó é maior do que parece. Para limpar a represa não adianta simplesmente jogar veneno para matar as algas. Se não fechar a torneira que joga toneladas de esgoto em suas águas, vai ser como secar gelo. Não vai adiantar nada, só que fazer isso não será fácil.
A Billings é uma beleza e limpar e recuperar suas águas já vale pelo resgate de uma região que hoje está completamente deteriorada. Se ainda por cima, for possível transformá-la na maior abastecedora da Região Metropolitana, adicionando sua enorme capacidade de armazenamento ao que já temos hoje, será mais que maravilhoso, será a aplicação de uma solução eficiente para mitigar um problema de vida e de morte que afeta mais de 23 milhões de pessoas.
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