Barulho demais é barulho de mais
Muito barulho por nada é uma expressão antiga, que rendeu peça de Shakespeare, mas que não se aplica a São Paulo. Em São Paulo a dança é outra.
Aqui muito barulho é muito barulho mesmo, se não for mais ainda, na passagem dos aviões que pousam e decolam a cada um minuto e pouco e enlouquecem os moradores debaixo das rotas do aeroporto.
Não tem o que fazer, uma aglomeração insana com mais de 23 milhões de habitantes não pode dar certo, é ingovernável e seu destino é ir de mal a pior a cada dia que passa.
Tanto faz alguém querer ou não querer, planejar, acertar com os russos, ou tomar qualquer outra medida pautada no bom senso. Os governantes em sua maioria até tentam isso, mas dá na mesma, São Paulo não obedece, simplesmente segue em frente no seu ritmo fora de controle, que transforma em ruínas o que era imponente ontem e promete o sucesso para quem acha que sabe e depois quebra a cara.
Amanhã é outro dia, se chover pega de um jeito, se não chover pega de outro. No meio fica a incerteza em relação a tudo, começando pelo tempo que invariavelmente faz que vai, mas não vai, e engana os especialistas e a população. Para o bom e para o ruim.
Tem quem imagina que manda alguma coisa. Só descobre que não manda nada quando as coisas não acontecem como foi planejado. Mas aí já é tarde, fica um começo de mal-estar e a certeza de que não vai dar certo.
O resto seria silêncio, não fosse o brulho ensurdecedor e constante que assombra a metrópole 24 horas por dia.
No mais nossa água é atípica. Tem cor, gosto e cheiro. Dizem que é potável, mas como é opaca e seu manejo sem transparência, ninguém tem certeza de nada. Será que os responsáveis bebem água da torneira?
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