O problema não é o apagão
Em um evento o presidente da Enel declarou que para acabar com os apagões em São Paulo, só Jesus Cristo. Sem ter procuração das igrejas cristãs, quero ressaltar a fé inabalável deste senhor nas forças celestes como solução para os problemas humanos. Também gostaria de lembrar que Deus Pai, muito tempo atrás, enviou o dilúvio para recalibrar a ocupação da Terra. Gostaria ainda de lembrar que as chuvas torrenciais e as tempestades que se abatem sobre a Região Metropolitana de São Paulo são o que os ingleses chamam “Act of God”, ou seja, um ato de Deus, exatamente como o dilúvio.
Mas não cabe aqui discutir as vontades e capacidades divinas, o que precisa ficar claro é que nós todos concordamos com as declarações do presidente da Enel, para acabar com os apagões em São Paulo só com a interferência de forças além da nossa compreensão.
Ele tem toda a razão, no meio do emaranhado de fios próprios e de terceiros que usam seus postes, mais a galharia das árvores paulistanas, através da qual correm os referidos fios, não tem como evitar os danos causados por uma tempestade de grande porte. Eles vão acontecer, ninguém tem dúvida, e a tempestade não precisa ser tão grande.
Onde a coisa pega, e a companhia do ilustre presidente não se sai bem, não é evitando a tempestade, mas no reparo dos danos. As tempestades seguirão acontecendo, tanto faz qualquer tanto faz. E a Enel, pelo que se tem visto, continuará com uma resposta no máximo medíocre na sua obrigação de reparar os danos causados pelas tempestades.
Este é o ponto: a Enel tem que reparar os danos e garantir o fornecimento de energia no menor tempo possível. Mas ela não faz isso. Não sou eu quem diz, mas a Agência que a fiscaliza. O presidente da ANEEL votou pela cassação da concessão da Enel em São Paulo.
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