Futebol foi coisa séria
Futebol já foi coisa séria. Depois, entre secos e molhados e muita bolada nas costas, a coisa desandou, futebol deixou de ser coisa séria. Tem quem vai dizer que não é bem assim, que é parecido, que eu estou exagerando. É isso que eu quero discutir.
Quem viu Pelé jogar ao vivo e em cores sabe o que eu estou dizendo. Quem não viu, tem vídeos e mais vídeos do grande craque em campo. É só assistir para entender o ponto e não sobrar nenhuma dúvida para simplificar a explicação.
E quem não viu, nem quer ver Pelé, tem vídeos com outros craques em campo, é só dar uma olhada para ficar claro porque até hoje os jogadores da Copa de 70 são lembrados e, além deles, vários outros craques ocupam lugar de destaque na parede dos retratos.
Antes que alguém coloque óbice, é verdade Cristiano Ronaldo não deve nada para os melhores, de qualquer tempo. E Messi também joga um bolão. Mas os brasileiros de hoje, comparados com os brasileiros de ontem, podem no máximo jogar bem, mas daí não passam. Nenhum deles, pelo menos até agora, chegou perto de um Ronaldo Fenômeno, de um Zico e até de um Romário. A diferença é muito grande.
Por outro lado, o que os quase craques de hoje faturam é assustador. Um sozinho ganha por ano mais do que todos os grandes craques somados, em suas carreiras inteiras. Incluído Pelé, que ganhou muito dinheiro, mas nada remotamente parecido com o que um dos nossos jogadores fatura em um ano. Jogando na Europa.
Se for por aí, então o futebol não acabou. Mas para mim o jogo segue sendo muito mais do que só ganhar dinheiro. Dinheiro é bom e todo mundo tem o direito de ganhar. Se pagam, não tem discussão. Mas o que está na mesa não é ganhar muito, é jogar bem e fazer a diferença em campo.
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