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Muito barulho é muito barulho

Não tem o que fazer, São Paulo é extremamente barulhenta. E o pior é que tem gente que quer permitir mais barulho ainda. Falam seriamente em liberar a altura da música dos grandes shows que são parte importante do turismo paulistano.

Não sei qual o sentido da medida, exceto a absoluta falta de respeito com o cidadão que paga muito imposto para ter pouco retorno. Tudo que uma pessoa de bem quer é ter um fim de semana tranquilo. Seja não fazendo nada, seja cozinhando um churrasco com os amigos, seja namorando ou comendo pipoca, sentado no sofá.

O descanso é sagrado. Está na Bíblia e nas discussões do Congresso, que quer reduzir a jornada de trabalho. Se é sagrado então tem que ser respeitado, o que não acontece nos dias de semana, onde a festa começa com o trânsito insano que se arrasta queimando combustíveis fósseis, com seu urro contínuo, para seguir nas ferramentas e máquinas utilizadas em construções novas e reformas de edifícios de todos os tipos.

Além delas ainda temos as sirenes de ambulâncias, polícia, bombeiros e o mais que tem o direito de andar rápido, porque muitas vezes é questão e vida ou morte.

Amola, amola muito, mas estes têm o perdão eterno pela importância do trabalho que realizam, que visa dar melhores condições de vida para quem mora na cidade.

Só que ainda tem mais. Tem motinhas com escapamento aberto para parecerem as grandes motos que seus proprietários sonham ter. Tem carros velhos sem silencioso, seja lá pela razão que for. Tem aviões que chegam e partem na velocidade do vento. Tem helicópteros como enormes abelhas em cima da sua cabeça. E pra quem acha que acabou, tem os alto-falantes dos templos, urrando como se o grito convencesse os fiéis.

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Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.