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Resedás e espatódeas

[Crônica de 26 de fevereiro de 2010]

Ninguém discute, o momento é das quaresmeiras. Não só pelas flores de cada árvore, mas porque as plantaram nos quatro cantos da cidade, sem economia, como se o fato de serem plantas de segunda geração as tornasse baratas e disponíveis para encherem o cinza urbano com seus galhos mirrados ao longo do ano, mas enfeitados para festa nos dias da quaresma.

Não sei se as chuvas têm alguma coisa com isso. Pode ser que sim, pode ser que não, mas o fato é que as quaresmeiras estão tendo concorrência.

Eu nunca tinha reparado na quantidade de resedás plantada em São Paulo. É olhar para um lado, e lá está um. Olhar para outro, e lá está outro. Este com flores brancas, aquele, rosas, e um terceiro, escondido atrás de uma quaresmeira, vestido de roxo.

É, as cores são as mesmas, mas os tons variam. Um resedá é um resedá, uma quaresmeira é uma quaresmeira. Não se confundem, inclusive porque são árvores completamente diferentes. O resedá é muito mais delicado, enquanto a quaresmeira se mostra rude, ainda que enfeitada com flores deslumbrantes.

Mas não são apenas os resedás que desafiam as quaresmeiras, enfeitando a cidade. As espatódeas estão aí, mais vivas do que nunca, com suas flores cor de laranja enchendo o horizonte paulistano com uma festa de cores.

Quem quer vê-las em renque, rua a fora, de alto abaixo do morro, basta seguir as ruas das Perdizes. As espatódeas reinam no pedaço. As calçadas são delas, quase que da Pompéia até em frente da igreja dos Dominicanos, já no começo do Pacaembu.

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Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.