Em eleição vale tudo
Dizia um velho cacique da política nacional que em eleição a única coisa feia é perder. Com certeza essa máxima vigora desde que o ser humano decidiu fazer a primeira eleição.
No “Asterix na Córsega”, um gibi de décadas atrás, os eleitores colocam seus votos na urna e depois saem no braço para ver quem ganha. É uma solução democrática, resolvida na porrada. Quem bater mais, leva.
Em termos reais, não é muito diferente do que acontece nas eleições atuais. Se vê muito mais ofensa e agressividade do que discussão de teses e programas de governo. E não é só no Brasil, no mundo inteiro a radicalização está jogando a discussão das soluções para o lado, em nome da baixaria que elege o que tiver menos rejeição.
Se olharmos o país, a rejeição dos dois primeiros colocados chega a impressionantes quase 50%, os dois em empate técnico. É uma vergonha, mas é o que temos para agora. E não há nada que indique que vá mudar.
Mas eleição não é só para presidente da república, nem para senador, onde, por exemplo, aqui mais uma vez, vemos o absurdo de uma senhora de Mato Grosso, querer ser senadora por São Paulo, e outra do Acre, também querer ser senadora por São Paulo, onde nunca moraram, nem conhecem os problemas e as vantagens.
A instituição vai muito além, tem voto para tudo, de centro estudantil a síndico de prédio. E essas são as eleições mais difíceis, até porque vários condomínios são pequenos e todos se conhecem.
Vale tudo, de xingar a mãe e outras ofensas, até negociar uma boquinha aqui ou ali. Não tem eleição fácil, exceto as que são com candidatura única, ou pelo menos definida, como era comum nas repúblicas comunistas. Se você já passou, por uma, em qualquer nível, sabe o que eu estou falando, se não passou, não queira passar.
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