Querer ou não querer
Ser ou não ser, a grande dúvida do príncipe, nos dias de hoje pode ser reescrita como querer ou não querer, eis a questão. Ser ou não ser tanto faz, querer, não, é diferente. A gente quer, a gente faz.
“Comigo ou sem migo, nós acabemo fondo”. “Nós quer greve, nós faz greve”. O resto é bet tungando a grana de quem mais precisa ou outro desmando que deveria envergonhar, mas, hoje, no Brasil, engrandece o esperto, invariavelmente amigo de um político.
Diz a lenda que já foi diferente, que em algum lugar do passado as coisas corriam em outra raia, mais clara e transparente. Tem quem sabe que não era assim, tem quem sabe que era assim. A história do Brasil é mais complexa do que parece.
Como disse um grande homem, o Brasil não é para amadores. Aqui prostituta goza, cafetão se apaixona e traficante cheira. Não é em qualquer lugar que uma soma dessas faz parte das rotinas da vida.
Cada um acha que sabe o seu lugar e curiosamente o lugar que cada um acha que é o seu é um pouco mais alto do que realmente é. Certa vez levei uma bronca de um cidadão que achou que eu não dei todos os seus créditos. Acontece, principalmente quando o cidadão tem pouco crédito.
Querer ou não querer, eis a questão. As redes sociais são uma alavanca para o querer, e uma arma mortal para enganar quem quer e, mais ainda, quem acha.
Em rio que tem piranha jacaré nada de costas. Essa vida não é fácil, nem foi feita para ser. Cada um sabe de si e depois que fica “de maior” não tem mais jeito, bobeou, dançou.
Se ser ou não ser é a questão, querer ou não querer é a resposta. Preste atenção quem quer muito, acaba sem nada.
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