O trânsito no pedaço dos faraós
[Crônica de 19 de julho de 2001]
Sem desmerecer os faraós, nem sua importância histórica, nem a beleza e desenvolvimento de sua civilização, gostaria de ”consignar” meu mais veemente protesto com o que vem acontecendo na região da FAAP, por conta da exposição – diga-se de passagem, deslumbrante – sobre o Egito antigo.
Mesmo sem ser culpa dos faraós, não tem cabimento os ônibus de excursão pararem do jeito que querem, onde querem, na hora que querem, atrapalhando o trânsito do pedaço, da forma como eles vêm fazendo.
Está errado e se fosse em Tebas, ou mesmo no Vale dos Mortos, duvido que a polícia dos faraós deixaria acontecerem os desmandos que vão acontecendo por aqui.
É verdade que a polícia dos faraós não era composta por marronzinhos e isto faz muita diferença, começando pelos dias de chuva, nos quais eles não trabalham porque, apesar de terem uniformes sanforizados, eles próprios não são a prova d’água e encolhem quando se molham.
Acontece que estamos no inverno e nesta época do ano chove pouco, assim, a desculpa do encolhimento, capaz de fazer todo mundo se compadecer da sorte dos marronzinhos, não pode ser invocada, e eles continuam sem aparecer, o que gera o caos dos ônibus em volta da FAAP, com a culpa caindo em cima dos faraós, ainda que não tendo uma única múmia real para assinar a papeleta da multa.
É triste, em primeiro lugar porque uma exposição altamente educativa acaba servindo de canal para se mostrar tudo de errado que acontece no trânsito de São Paulo. E, em segundo, porque mais uma vez fica evidente que os marronzinhos nunca estão onde são necessários, mas estão sempre onde não deveriam estar.
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