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Um número inimaginável

[Crônica de 19 de março de 2008]

Você consegue trabalhar com ordens de grandeza na casa dos 6 milhões de unidades? Confesso que para mim é difícil imaginar o que é isso. Conseguir quantificar e colocar em linha um atrás do outro, até completar o número inteiro.

Suponde que um automóvel médio tem 4 metros de comprimento, 6 milhões de veículos, um atrás do outro, daria uma fila de 24 milhões de metros, ou 24 mil quilômetros.

Pois esse número se aproxima rapidamente da nossa realidade, do nosso dia a dia. Segundo alguns especialistas no assunto, São Paulo está cada vez mais próxima de ter uma frota desta dimensão.

Supondo que diariamente um quarto dela fique em casa função do rodízio ou outra razão qualquer, ainda assim, teremos uma cobra gigantesca, de perto de 18 mil quilômetros, para domar.

Se mal damos conta de uma sucuri de 8 metros, a pergunta que fica é o que faremos com um monstro deste tamanho?

Nos países civilizados existem concentrações até maiores do que essa. Los Angeles, por exemplo, tem uma proporção de 1,2 para 1. Mas eles têm, também, outras formas de transporte coletivo e isso impede o caos.

E nós que além deste número absurdo, só temos um transporte coletivo deficiente, insuficiente e, na média, de má qualidade?

Sobra pouco para o dia acabar bem. Não dá para imaginar o que isto quer dizer, nem fazendo força para pensar grande.

Mas o quadro fica muito mais dramático quando nos lembramos que a CET que deveria gerenciar esta bagunça, quando em dia inspirado, só consegue multar mais, e mais nada.

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Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.