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Sete de setembro

[Crônica de 7 de setembro de 2001]

Sete de setembro de 2001. Comemoração da Independência do Brasil, feriado nacional, dia de reflexão sobre os valores maiores de uma nação que não deve nada para ninguém, nem é melhor ou pior, simplesmente é o que ela é, por conta da sua história e de sua localização.

Mas será que alguém vai mesmo meditar sobre o que nós somos? É pouco provável. E é triste, porque se alguém se debruçasse sobre o que está acontecendo no Brasil, teria uma surpresa e boa.

A diferença fundamental entre o Brasil e os Estados Unidos é que eles fazem de cada momento uma ode ao país onde vivem. E, mesmo quando não há nada para comemorar ou festejar, dão um jeito de achar alguma coisa que os faça melhores do que os outros.

Nós somos o oposto. Quase temos vergonha do que somos e escondemos nosso passado como se fosse tragicamente feio e indecoroso os fatos terem se dado como se deram.

Tivemos escravos? Matamos índios? Exploramos a terra? Todas as respostas são sim e verdadeiras. Fizemos tudo isto. Ou melhor, nossos maiores o fizeram, nos legando um dos maiores países do mundo, conquistado com muito sangue e muito sofrimento dos índios, dos espanhóis, do clima inclemente, da geografia grandiosa, das distâncias imensas.

Povoado por todas as raças, trazidas a força ou convidadas a virem, misturando-nos com cada uma delas, a começar pelos índios que aqui viviam quando da chegada dos portugueses.

Temos defeitos? Com certeza e imensos. Mas será que somos os únicos que não são perfeitos, os únicos que tiveram escravos, os únicos que mataram índios, os únicos que conquistaram seu espaço, ocupando terras de outros?

Não vamos nos esquecer que no Brasil, todos são antes de tudo brasileiros, e isso a gente não acha fácil no resto do mundo.

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Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.