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A hora e a vez do Brooklin

 

Um amigo que mora lá me contou que chegou a hora e a vez do Brooklin. Que o bairro caiu no gosto dos ladrões e que, nos últimos tempos, acontecem assaltos de todos os tipos, todas as horas, todos os dias.

Os moradores que não se preocupavam em fechar a porta da frente, protegidos por muros não tão altos, agora estão contratando alarmes e empresas de segurança, mas mesmo isso não tem evitado a festa dos bandidos, que assaltam pedestres e roubam celulares e bolsas, com a mesma tranquilidade com que entram nas casas, de preferência quando os moradores estão fora, mas não necessariamente nessas horas.

Há relatos de pessoas que ficaram amarradas horas a fio, enquanto os ladrões faziam a festa dentro de suas casas.

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Também tem quem conte dos assaltos a pedestres, com e sem ameaças. O bem mais visado é o celular, mas, se puderem levar a carteira, os ladrões não hesitam nenhum minuto.

É interessante como um bairro tranquilo de repente caiu na rotina de violência da cidade. Mas tem uma explicação.

Segundo meu amigo, a população do bairro está mudando rapidamente. O antigo bairro de professores e aposentados está dando lugar a um bairro dinâmico, habitado por gente mais jovem e bem-sucedida.

Meu amigo diz que o bairro está tendo um upgrade, que chamou a atenção dos bandidos, que, além de tudo, perceberam que parte dos moradores trabalha fora e deixa a casa sem ninguém durante o dia.

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Entre descobrir o óbvio e montar um padrão é coisa de segundos. Um átimo e o ladrão está lá, não mais furtando pneus durante a madrugada, mas agindo à luz do dia, entrando nas casas e assaltando os pedestres.

Você que mora no Brooklin, bem-vindo à violência da selva urbana e muito cuidado para não ser o próximo.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.