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Lei da gravidade

 

Décadas atrás, na época em que as fontes luminosas construídas nas praças centrais faziam a diferença para se avaliar o progresso da cidade, foram poucos os municípios, de sul a norte do país, que não investiram parte do orçamento na construção de uma fonte luminosa, se possível maior do que a da cidade vizinha.

Foi assim que o prefeito de uma certa cidade, perdida no enorme território brasileiro, concluiu que a melhor maneira de marcar sua gestão seria dar ao município uma esplendorosa fonte luminosa.

Ele chamou os engenheiros, encomendou o projeto; com o projeto pronto, reuniu a Câmara Municipal e, diante dos vereadores abismados, abriu o desenho do projeto da fonte luminosa a ser erguida na praça da matriz, bem no coração da cidade.

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Encerrada a votação por aclamação, as obras rapidamente tiveram início, mas, quando a fonte ficou pronta, veio a decepção. Ela não jorrava água para ser iluminada pelas luzes coloridas instaladas dentro do tanque.

O prefeito chamou seus técnicos e foi para a Câmara Municipal discutir com os vereadores as soluções possíveis para resolver o problema. A conclusão foi que o melhor seria chamar um professor de engenharia especializado no assunto. E foi feito.

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O professor chegou, analisou o quadro, fez algumas medições e apresentou seu relatório. A fonte não jorrava por causa da lei da gravidade.

Quando o prefeito soube a causa, foi taxativo: “Revoguem a lei da gravidade.” A Câmara se reuniu e consternada descobriu que a lei não era municipal e, portanto, não poderia ser revogada. Também não era uma lei estadual, então não adiantava falar com o governador. Foi aí que o prefeito decidiu: “Vamos deixar pra lá. Se não é lei municipal, nem estadual, só pode ser federal e aí é coisa dos milicos! É melhor não mexer com eles…”.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.