Pressione enter para ver os resultados ou esc para cancelar.

É feio respeitar a lei

 

É trafegar pelas ruas de qualquer cidade do Brasil para ver que o esgarçamento da malha moral da nação é muito mais profundo e danoso do que se pensava até há poucos anos.

A falta de respeito à lei é a regra, a norma que pauta a forma como os motoristas dirigem, o que fazem e o que deixam de fazer.

Antes, eram os caminhões de distribuição que estacionavam em qualquer lugar, ligavam o pisca alerta e começavam a descarregar, pouco se importando com os outros motoristas ou com o tamanho do congestionamento que sua ação causava.

Leia também: As placas de trânsito

Agora, os motoristas param sem avisar que vão parar, ligam o pisca alerta e tudo bem, podem ficar como quiserem e onde quiserem, pouco se lixando para o trânsito ou para os outros motoristas.

A rua, por alguma interferência divina, é deles. Da mesma forma que as faixas da pista central das marginais são dos motoristas que vão a menos de cinquenta quilômetros por hora, numa via em que a velocidade é noventa.

Leia também: O ônibus e as bicicletas

Entrar à esquerda trafegando pela pista da direita é tão comum quanto entrar à direita trafegando pela pista da esquerda, mesmo que isso signifique interromper o fluxo de quem deseja ir reto, parando o carro na terceira faixa, desrespeitando a sinalização, ou melhor, debochando da sinalização, especialmente quando tem setas indicativas pintadas no asfalto.

Para quê colocar placa de proibido estacionar se não são respeitadas e param exatamente debaixo delas? Por que parar um pouco para frente ou um pouco para trás? O bom é parar debaixo da placa e ligar o pisca alerta. Daí pra frente pode-se fazer tudo.

A última moda é trafegar na contramão. Cada vez mais é comum se ver carros na contramão. Trafegar de ré nas marginais ficou obsoleto.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.